As 7 Linhas da Umbanda

As 7 Linhas na Umbanda

Diferentes Tipos de Umbanda: Entenda as 7 Linhas e Suas Vertentes

A Umbanda é uma das religiões mais plurais do Brasil. Por ser uma fé sem uma autoridade central única, ela se manifesta através de diferentes tipos de Umbanda, cada um com suas liturgias, vestimentas e, principalmente, interpretações sobre as sagradas 7 Linhas.

Se você já visitou terreiros diferentes, provavelmente percebeu que a forma de cultuar os Orixás e de entender as hierarquias espirituais varia. No Reino de Xangô, acreditamos que o conhecimento liberta. Por isso, preparamos este guia definitivo para você compreender as nuances entre as principais escolas umbandistas e como cada uma delas organiza as forças do universo.


O Conceito das 7 Linhas na Umbanda: Unidade na Diversidade

Antes de explorarmos os diferentes tipos de Umbanda, precisamos entender o que são as 7 Linhas. O número sete é cabalístico e sagrado em quase todas as tradições espirituais. Na Umbanda, ele representa a totalidade da manifestação divina. Independentemente da vertente, o praticante sabe que o universo é regido por sete vibrações principais que emanam de Deus (Olorum ou Zambi).

No entanto, a divergência começa quando perguntamos: Quais divindades ocupam cada linha? A resposta depende de qual “escola” de pensamento o terreiro segue. A seguir, detalhamos as vertentes mais relevantes do cenário nacional.


1. Umbanda Tradicional ou “Zelista”

Esta é a vertente original, fundada em 1908 por Zélio Fernandino de Moraes sob a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas. O foco aqui é a simplicidade e o trabalho direto com os guias de caridade.

As 7 Linhas na Visão Zelista

Nesta vertente, as linhas são organizadas de forma mais próxima ao sincretismo católico da época:

  • Linha de Oxalá: Regida por Jesus Cristo, simboliza a pureza e a fé.

  • Linha de Ogum: Focada na lei e na demanda.

  • Linha de Oxóssi: Onde trabalham os Caboclos das matas.

  • Linha de Xangô: A justiça divina e o equilíbrio.

  • Linha de Iemanjá: A energia das águas e da maternidade.

  • Linha de São João Batista: Uma característica específica dessa vertente inicial.

  • Linha das Almas: Onde trabalham os Pretos-Velhos.

A Umbanda Tradicional preza pelo uso de roupas brancas, ausência de atabaques em algumas casas originais e um forte componente cristão. Para entender mais sobre essa base, recomendamos o estudo sobre a história da fundação da Umbanda.


2. Umbanda de Matriz Africana (Umbandonblé)

Muitas vezes chamada pejorativamente de “Umbandonblé”, essa vertente é, na verdade, um resgate das raízes africanas. Ela é muito comum no Batuque do Rio Grande do Sul. Nela, a separação entre o Orixá (energia pura) e a Entidade (espírito humano) é nítida e rigorosa.

A Estrutura de Matriz Africana

Diferente da vertente zelista, aqui o sincretismo é reduzido. As 7 Linhas seguem o panteão iorubá de forma mais estrita:

  • O uso de roupas coloridas e fios de conta específicos é comum.

  • Rituais de sacralização com elementos da natureza são mais frequentes.

  • A música é vibrante, com atabaques seguindo toques ancestrais.

Se você frequenta uma casa de Batuque do RS, verá que Xangô é cultuado em suas diversas qualidades (Agandjú, Baru, etc.), integrando-se às 7 linhas de forma muito mais densa e fundamentada em mitos africanos (Itans).


3. Umbanda Esotérica: A Escola de Matta e Silva

Fundada por W.W. da Matta e Silva (Mestre Itamatamã), esta vertente propõe que a Umbanda é uma ciência cósmica antiga, chamada de “Aumbandã”. É uma das formas mais complexas e intelectuais de praticar a religião.

As 7 Linhas como Vibrações Planetárias

Para a Umbanda Esotérica, os Orixás não são “deuses”, mas vibrações de luz. A organização é feita da seguinte forma:

  1. Vibração Espiritual de Oxalá: O princípio cristico.

  2. Vibração de Iemanjá: O princípio gerador.

  3. Vibração de Iansã: O princípio transformador.

  4. Vibração de Oxum: O princípio do amor.

  5. Vibração de Ogum: O princípio da lei e da luta.

  6. Vibração de Oxóssi: O princípio da ciência e da caça.

  7. Vibração de Xangô: O princípio da justiça e da palavra.

Nesta escola, o estudo da numerologia, astrologia e do “alfabeto sagrado” (pontos riscados) é fundamental. Você pode consultar mais detalhes técnicos no portal do IPHAN sobre a salvaguarda de tradições religiosas brasileiras.


4. Umbanda Sagrada: A Teologia de Rubens Saraceni

Atualmente, esta é a vertente que mais cresce devido à sua forte presença digital. Rubens Saraceni sistematizou a religião através da “Teologia de Umbanda Sagrada”, introduzindo conceitos como os Tronos de Deus.

O Mistério das 7 Linhas e os 14 Orixás

A maior diferença aqui é que cada uma das 7 linhas é regida por um par de Orixás (um masculino e um feminino), que representam um “Sentido da Vida”:

  • Linha da Fé: Oxalá e Logunã (Oiá).

  • Linha do Amor: Oxum e Oxumaré.

  • Linha do Conhecimento: Oxóssi e Obá.

  • Linha da Justiça: Xangô e Egunitá.

  • Linha da Lei: Ogum e Iansã.

  • Linha da Evolução: Obaluaê e Nanã Buruquê.

  • Linha da Geração: Iemanjá e Omulu.

Essa vertente explica que Xangô não atua sozinho na justiça; ele divide essa função com Egunitá, que purifica os seres através do fogo, enquanto Xangô os equilibra através da lei.


5. Umbanda de Caboclo e Umbanda Guarani

Focada quase inteiramente na ancestralidade indígena brasileira. Nessas casas, o culto aos Caboclos é soberano. As 7 Linhas são interpretadas através das forças da mata e dos elementos da natureza brasileira.

Diferenças no Culto

  • Utilização ostensiva de fumo e ervas nativas.

  • O sincretismo com santos católicos é quase inexistente.

  • A figura de Xangô é vista como o “Dono da Pedreira”, o local de força máxima onde os pajés buscam o equilíbrio.


6. Umbanda Caritativa e a Influência Kardecista

Muitas casas operam sob uma influência muito forte do Espiritismo de Allan Kardec. São conhecidas como “Umbanda Branca” ou “Umbanda de Mesa”.

Características Principais

  • Não utilizam atabaques ou bebidas rituais.

  • As 7 Linhas são vistas como “Graus de Evolução”.

  • O foco é puramente na doutrina moral e no passe mediúnico.

  • Xangô, nesta visão, é o orientador espiritual que ensina a retidão e a justiça social.


FAQ: Perguntas Frequentes sobre os Tipos de Umbanda

Existe uma Umbanda que seja a “correta”?

Não. A Umbanda é uma religião de livre arbítrio. A “correta” é aquela que ressoa com o seu coração e que pratica a caridade e o respeito. Todas as vertentes citadas possuem valor espiritual e histórico.

Por que Xangô está em quase todas as 7 Linhas?

Porque a Justiça é um pilar universal. Sem equilíbrio e justiça (Xangô), o universo não se sustenta. Por isso, independentemente do tipo de Umbanda, o Rei de Oyó é sempre uma figura central. Saiba mais na nossa seção sobre as ervas sagradas de Xangô.

O que são as “Linhas de Trabalho”?

Além das 7 Linhas dos Orixás, existem as linhas de trabalho das entidades (Pretos-Velhos, Caboclos, Baianos, Marinheiros, etc.). Elas são os “exércitos” de espíritos que executam as ordens dos Orixás na Terra.


Conclusão: A Unidade no Reino de Xangô

Como vimos, os diferentes tipos de Umbanda oferecem caminhos diversos para o mesmo objetivo: a evolução espiritual. Seja através do rigor das raízes africanas, da complexidade esotérica ou da doçura da Umbanda sagrada, o axé se manifesta.

Para nós, do Reino de Xangô, o mais importante é manter o fogo da justiça aceso e o respeito por todas as tradições que honram os Orixás. Se você quer se aprofundar ainda mais, não deixe de ler nosso artigo sobre as diferenças entre Candomblé e Umbanda.

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