Aos 15 anos, sob a orientação das Yalorixás Elaine Torres e Jeane Wainstein, o trabalho começou de verdade. Umbanda e Quimbanda entraram juntas — como sempre são, quando há fundamento: dois lados inseparáveis de uma mesma raiz.
Ali também veio o primeiro contato com o Batuque gaúcho. E o início do desenvolvimento mediúnico que nunca parou.
A formação — três nações, uma trajetória
Poucos sacerdotes no Batuque do Rio Grande do Sul carregam fundamento rastreável em três nações distintas. Esse caminho não foi construído por acidente. Foi construído por escolha — e por respeito ao que cada linhagem tem de único.
A primeira obrigação veio pelo Jêje-Nagô de Charqueadas RS, a nação-origem do Batuque gaúcho, transmitida pelo Babalorixá Jader de Xangô. Uma linhagem que em 1998 já estava à beira do desaparecimento. O que foi recebido ali não se encontra mais em qualquer lugar.
Em 2003, o caminho se aprofundou na Nação Jêje-Ijexá, com Mãe Verinha de Oxalá. Na nação Jêje-Ijexá eu permaneci por mais de duas décadas — tempo suficiente para absorver, consolidar e entregar fundamento de verdade. Em 14 de abril de 2007, foi realizada a obrigação de assentamento de Xangô Aganjú e seu Orumalé. Axés de Obé e Búzios entregues. Padrinhos presentes (Os Babalorixás Marinho e Jose Carlos, ambos de Oxalá). Axé real. Os anos seguintes, sob a Bandeira de Xangô Agodô na casa do Pai Tita de Xangô, consolidaram cada fundamento carregado até hoje.
Em 2025, uma nova raiz foi acrescentada à trajetória. Léo passou a integrar o axé do Babalorixá David de Ogum Tolombi — cuja linhagem descende da Mãe Jane de Oxum, Nação Oyó com Jeje (Raiz de pai Acimar de Xango Taió). Uma casa de fundamento distinto, que aprofunda e complementa uma trajetória já construída sobre alicerces sólidos.
Não são capítulos encerrados. São camadas de uma mesma formação dentro do Batuque do Rio Grande do Sul.
O que isso representa
Quem chega ao Reino de Xangô não encontra improviso.
Encontra um Babalorixá que aprendeu debaixo de uma raiz sólida — numa época em que não havia atalho nem certificado de fim de semana. Quando o Nagô de Charqueadas estava à beira do desaparecimento, o que restava era transmitido por obrigação, não por vídeo. Esse tipo de fundamento não se baixa. Não se compra. Se recebe — e se carrega com responsabilidade.
Desde 2008, o Reino de Xangô tem sua sede em Viamão, em área de mata nativa preservada. Não por acidente. Porque quem entende do Batuque sabe que axé não habita só em construção humana. Ele pulsa onde a natureza ainda é intacta.
Léo de Xangô
Babalorixá. Filho de Xangô Aganjú.
Mais de 25 anos de caminhada no Batuque do Rio Grande do Sul e um único compromisso, com o fundamento.
Xangô é o Orixá da balança e da justiça. Quando ele é o seu Orixá, cada passo carrega esse peso — e essa responsabilidade.
Os axés exigem isso.