Léo de Xangô

Babalorixá da Nação Oyó com Jeje. Filho de Xangô Aganjú.

Mas bem antes disso— iniciado no Jêje-Nagô.

A Nação Jêje-Nagô é a origem de tudo no Rio Grande do Sul. Foi ela que trouxe o Batuque gaúcho, vinda das Charqueadas. Em 1998, quando Léo recebeu sua primeira obrigação no Ilê do Babalorixá Jader de Xangô, o Jêje-Nagô já era quase memória viva. Poucas casas resistiam. Menos ainda tinham condições de transmitir fundamento real.

Aquele momento não foi acaso. Foi o começo de uma formação construída com consciência — que atravessa três nações, mais de 25 anos e uma compreensão do Batuque gaúcho que poucos sacerdotes hoje podem reivindicar.

 

As raízes

A religião chegou pela porta da família. O terreiro do meu Tio Hélio, no bairro da Hípica em Porto Alegre, foi o primeiro contato — ainda criança, sem entender tudo, mas sentindo o peso do que acontecia ali dentro.

 

Aos 15 anos, sob a orientação das Yalorixás Elaine Torres e Jeane Wainstein, o trabalho começou de verdade. Umbanda e Quimbanda entraram juntas — como sempre são, quando há fundamento: dois lados inseparáveis de uma mesma raiz.

Ali também veio o primeiro contato com o Batuque gaúcho. E o início do desenvolvimento mediúnico que nunca parou.

A formação — três nações, uma trajetória

Poucos sacerdotes no Batuque do Rio Grande do Sul carregam fundamento rastreável em três nações distintas. Esse caminho não foi construído por acidente. Foi construído por escolha — e por respeito ao que cada linhagem tem de único.

A primeira obrigação veio pelo Jêje-Nagô  de Charqueadas RS, a nação-origem do Batuque gaúcho, transmitida pelo Babalorixá Jader de Xangô. Uma linhagem que em 1998 já estava à beira do desaparecimento. O que foi recebido ali não se encontra mais em qualquer lugar.

Em 2003, o caminho se aprofundou na Nação Jêje-Ijexá, com Mãe Verinha de Oxalá. Na nação Jêje-Ijexá eu permaneci por mais de duas décadas — tempo suficiente para absorver, consolidar e entregar fundamento de verdade. Em 14 de abril de 2007, foi realizada a obrigação de assentamento de Xangô Aganjú e seu Orumalé. Axés de Obé e Búzios entregues. Padrinhos presentes (Os Babalorixás Marinho e Jose Carlos, ambos de Oxalá). Axé real. Os anos seguintes, sob a Bandeira de Xangô Agodô na casa do Pai Tita de Xangô, consolidaram cada fundamento carregado até hoje.

Em 2025, uma nova raiz foi acrescentada à trajetória. Léo passou a integrar o axé do Babalorixá David de Ogum Tolombi — cuja linhagem descende da Mãe Jane de Oxum, Nação Oyó com Jeje (Raiz de pai Acimar de Xango Taió). Uma casa de fundamento distinto, que aprofunda e complementa uma trajetória já construída sobre alicerces sólidos.

Não são capítulos encerrados. São camadas de uma mesma formação dentro do Batuque do Rio Grande do Sul.

O que isso representa

Quem chega ao Reino de Xangô não encontra improviso.

Encontra um Babalorixá que aprendeu debaixo de uma raiz sólida — numa época em que não havia atalho nem certificado de fim de semana. Quando o Nagô de Charqueadas estava à beira do desaparecimento, o que restava era transmitido por obrigação, não por vídeo. Esse tipo de fundamento não se baixa. Não se compra. Se recebe — e se carrega com responsabilidade.

Desde 2008, o Reino de Xangô tem sua sede em Viamão, em área de mata nativa preservada. Não por acidente. Porque quem entende do Batuque sabe que axé não habita só em construção humana. Ele pulsa onde a natureza ainda é intacta.

Léo de Xangô

Babalorixá. Filho de Xangô Aganjú.

Mais de 25 anos de caminhada no Batuque do Rio Grande do Sul e um único compromisso, com o fundamento.

Xangô é o Orixá da balança e da justiça. Quando ele é o seu Orixá, cada passo carrega esse peso — e essa responsabilidade.

Os axés exigem isso.

BLOG

O Batuque do Rio Grande do Sul

O Batuque do Rio Grande do Sul: História, Fundamentos e a Força dos Orixás no RS O Batuque do Rio Grande do Sul, ou simplesmente Batuque, é uma das expressões religiosas de matriz africana mais ricas e singulares do Brasil. Diferente do Candomblé baiano ou do Xangô pernambucano, o Batuque desenvolveu uma identidade própria em

As 7 Linhas da Umbanda

As 7 Linhas na Umbanda

Diferentes Tipos de Umbanda: Entenda as 7 Linhas e Suas Vertentes A Umbanda é uma das religiões mais plurais do Brasil. Por ser uma fé sem uma autoridade central única, ela se manifesta através de diferentes tipos de Umbanda, cada um com suas liturgias, vestimentas e, principalmente, interpretações sobre as sagradas 7 Linhas. Se você

Umbanda

Umbanda: O que é, Origem, Orixás e as Diferenças para o Batuque RS

Umbanda: O que é, Origem, Orixás e as Diferenças para o Batuque RS A Umbanda é a única religião genuinamente brasileira, uma síntese espiritual que une amor, caridade e a força da natureza. Se você busca entender o que é Umbanda, suas raízes em 1908 e como ela se diferencia de outras matrizes africanas, este

Continue lendo nosso Blog...

Rolar para cima