Pierre Verger, renomado pesquisador francês, contribuiu significativamente para o estudo do sistema de classificação das plantas do povo Yorubá. Em suas pesquisas, Verger destacou a importância das plantas na cultura, medicina e práticas religiosas desse povo. Ele identificou que as plantas desempenham um papel fundamental na vida cotidiana dos Yorubás, sendo utilizadas em rituais religiosos, tratamentos medicinais e até mesmo na culinária tradicional.
Genericamente, vamos encontrar no Elemento Fogo: Bará, Xangô, Ibeji; Elemento Terra: Ogum, Odé/Otim, Ossaim e Xapanã; Elemento Agua: Iemanjá, Oxum, Obá ; Elemento Ar: Oya e Oxalá. Pode ainda, de acordo com a qualidade específica de cada orixá, possuir ligação com mais de um elemento, por exemplo: Ogum Adiolá, por ter sua ligação com iemanjá, terá também ligação com o elemento agua e assim ocorre com outros orixás dentro do panteão africano, na ligação litúrgica com seus vegetais em questão.
Nesta visão de mundo Iorubá, direito/masculino/positivo são opostos a esquerdo/feminino/negativo, ou seja, o masculino é positivo e se posiciona do lado diretio, enquanto o feminino é negativo e pertence ao lado esquerdo. Ainda neste contexto os compartimentos que contém Ewé Inón (folhas de fogo) e Ewé Afééfé (folhas do ar) estão associados ao masculino, elementos fecundantes, enquanto as Ewé Omi (folhas da água) e as Ewé Ilé (folhas da terra) se ligam ao feminino, elementos fecundáveis.
Ao determinar que as folhas são separadas aos pares sempre opostos: Gún (excitantes) x èrò (calma), ewé apa òtún (folhas da direita) x ewé apa òsí (folhas da esquerda), os Iorubá tomam como modelo um sistema de classificação baseado em oposições binárias. Toda via esta não é uma condição sine qua non, pois ao analisar mais detalhadamente, encontraremos folhas masculinas que cumprem um papel negativo e folhas femininas com papel positivo que dependeram do contexto onde são utilizadas.
Neste sistema de classificação, a condição para que uma folha seja considerada masculina ou feminina está ligada ao seu formado, pois, na concepção Iorubá, a forma fálica (alongada) caracteriza o elemento masculino, em contrapartida, a forma uterina (arredondada) determina o elemento feminino.
Além disso, alguns outros aspectos das plantas são utilizados para esta classificação vegetal tais como: Cor das folhas, espessura, se é pelucidada, se possui espinhos, se suas folhas são lisas, ásperas ou serrilhadas, etc…
Além de Verger, outros estudiosos também se dedicaram ao estudo do sistema de classificação das plantas do povo Yorubá. Suas pesquisas ajudaram a elucidar a relação íntima entre as plantas e a cosmovisão desse grupo étnico. Através da classificação e categorização das plantas, os Yorubás conseguem organizar seu conhecimento botânico de forma eficiente, garantindo a transmissão dessas informações de geração em geração.
Em suma, contribuições de Pierre Verger e outros estudiosos sobre o sistema de classificação das plantas do povo Yorubá evidenciam a profunda conexão entre a natureza e a cultura desse povo. As plantas não são apenas recursos naturais, mas sim elementos essenciais para a identidade e práticas cotidianas dos Yorubás.